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22.12.09

Entrevista Mini Box Lunar


Logo após apresentação no Goiânia Noise 2009, Otto Ramos e Heluane, da banda Mini Box Lunar, gentilmente concederam uma entrevista para Over Música. Eles comentam a origem do grupo, com uma fala clássica (para este bolg) de Otto: O Mini Box já nasceu torto.... Heluane explica também de onde vêm as ideias para o visual que vestem ela e JJ, as duas vocalistas do Mini Box, além do trabalho do Coletivo Palafita no Amapá e suas ações integradas ao Circuito Fora do Eixo e as bandas da cena local.
Confira abaixo as vozes sensuais de Otto e Heluane.





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16.10.09

ENTREVISTA #3: RETROFOGUETES


Muitos estavam bem curiosos para saber como seria a sonoridade do segundo disco do Retrofoguetes, já que o primeiro, "Ativar Retrofoguetes", um disco de surf-music-rock recheado de referências, como cinema, HQ, rockabilly, proporcionou à banda imensa visibilidade nacional, além de um turbilhão de convites para tocar em festivais e casas por todo o território.

Lançado este ano pelo próprio selo da banda, no Festival Abril pro Rock, "Chachachá" mostra, principalmente, que a veia criativa da banda deu um salto de 2003 para cá, transcendendo o status "rock" e criando uma identidade própria ao som do trio.

O baixista do Retrofoguetes, CH Straatman, gentilmente respondeu por e-mail às perguntas do Over Música, confere aí.




"Chachachá" foi lançado pelo próprio selo, "Indústrias Karzov", como foi isso?
CH: Sim, resolvemos que seria mais interessante neste momento da carreira termos uma mobilidade maior sobre a nossa obra e cuidarmos de todas as etapas dos nossos lançamentos. Daí tivemos a idéia de fundar o nosso próprio selo, o Indústrias Karzov, decisão que tem nos trazido resultados muito positivos.

Vi também que ele está disponível no Portal Fora do Eixo. Qual o esquema de lançamento e distribuição que a banda optou, já que o disco anterior havia saído pela Monstro Discos? 
Estamos trabalhando por etapas. Primeiro planejamos um lançamento nacional, na mesma época surgiu o convite para o Abril Pro Rock. Percebemos que estrategicamente seria uma boa ocasião para realizar esse lançamento, pois teríamos num mesmo lugar a presença de toda a mídia especializada, selos, artistas, jornalistas; e além do show que apresentaríamos, que é nosso melhor cartão de visitas, teríamos ainda oportunidade de bons negócios. Depois veio o lançamento local no Teatro Castro Alves em Salvador, que é um dos maiores teatros da América Latina, tem uma estrutura espetacular. Nesse show reproduzimos o disco fielmente à gravação, com participação de orquestra de sopros, marimbas, vibrafone, percussão, ukelele, etc. Essa produção foi super trabalhada, com cenário, iluminação, figurino e foi um sucesso, lotação máxima do teatro, algo em torno de 1500 lugares. Com relação a distribuição estamos promovendo algumas parcerias com selos, lojas de departamento, lojas de disco e livrarias, mas a maior parte da vendagem tem vindo dos shows. Os lotes tem se esgotado muito rápido, estamos pensando em expandir um pouco mais isso, devemos inensificar a promoção do disco nos próximos meses.

Falando ainda dos dois discos do Retrofoguetes, houve um intervalo considerável do primeiro para o segundo. Geralmente hoje quando as bandas têm seis ou sete músicas prontas acabam lançando via EP. Como foi o trabalho da banda em cima desse álbum, dos produtores até o lançamento em 2009?
Houve um hiato de cinco anos, mas nesse período trabalhamos em projetos especiais de gravação, como foi o caso do Maravilhoso Natal dos Retrofoguetes, onde fizemos releituras de clássicos natalinos em versões Surf Music/Rockabilly e que foi lançado em CD e em compacto vinil. No âmbito autoral foi bom porque tivemos mais tempo para amadurecer as composições, percebemos que estávamos compondo para outros instrumentos também e conseguimos trabalhar melhor nossos timbres. O disco teve a produçãode andré T e Nancy Viegas.

E se você fosse comparar sonoramente os dois discos da banda, o que destacaria? Levando-se em conta toda a bagagem que adquiriram tocando por aí...
Sem dúvida, Maldito Mambo! foi um grande passo dentro da nossa música. Contamos com a ajuda do maestro Letieres Leite na condução dos arranjos de sopro e foi bastante desafiador compor pra uma orquestra. Inclusive recebemos com essa música o prêmio de melhor arranjo no Festival de Música da Rádio Educadora, que é um prêmio muito respeitado entre os músicos e artistas locais. No geral é um disco de múltiplas facetas e passamos a investir na sonoridade Retrofoguetes, o que significou que poderíamos fazer qualquer coisa mantendo nossas características, algo que creio ser buscado por 9 entre 10 bandas, mas nem todas o fazem com êxito.




Atualmente existe uma cena forte nacional de bandas instrumentais, evidenciada até por um prêmio à categoria criada pelo VMB. Na época em que o Retrofoguetes começou a tocar, como era? Que bandas instrumentais do País vocês estão ouvindo?
Não tínhamos referências nacionais para a música que fazíamos, naquele momento outras também começavam sua trajetória. Claro que sempre houve a música instrumental brasileira, com caras sensacionais como Hermeto Pascoal, Dominguinhos, Sivuca, Armandinho, Lanny Gordin e muitos outros, mas falando num segmento de música independente não víamos muita coisa no rock instrumental, era coisa rara. Cito o Pata de Elefante e os Dead Rocks, tanto como bandas que começaram ali, no mesmo período que a gente, como também sendo bandas que tenho escutado. A criação de uma categoria instrumental no VMB indica que estamos no caminho certo, todos crescendo e desenvolvendo essa nova cena.

Dos festivais nacionais que a banda tocou, qual você acredita ter feito realmente diferença para alavancar a carreira do grupo?
Abril Pro Rock, Festival DoSol e Goiania Noise foram bastante significativos, mas existem muitos outros que agregaram valor a nossa carreira... O importante dos festivais é que eles abrem inúmeras possibilidades na carreira de um artista, desde o intercambio cultural à expansão dos negócios dentro da música.
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Retrofoguetes é:
CH Straatmann (baixo), Rex (bateria) e Morotó Slim (guitarra).

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1.10.09

ENTREVISTA #2: VENDO 147

Há vários indícios de que uma das principais tendências atuais da década, inclusive no Brasil,  parece ser o rock instrumental. Dessa vez, a pedrada surgiu da capital baiana, Salvador. Na verdade, não é apenas uma pedrada, são duas: além de duas guitarras e do baixo, Vendo 147 têm dois bateristas (!), que dividem o mesmo bumbo. Claro, os ouvidos aplaudem.


O EP de estréia, lançado a menos de três meses (julho/09) está disponível no MySpace, também para download, são apenas quatro faixas que confirmam a principal proposta da banda: tocar rock ´n roll, honesto, puro. O download pode ser feito também no acervo da Reverb Brasil; uma de suas músicas, "Hell", é tema de um vídeo de surf, sem falar dos convites para tocar em palcos renomados, como A Obra (MG) e no Festival Do Sol (RN).

"Você vai ouvir falar muito dessa banda" - as palavras não são minhas, mas de Dimmy, um dos bateristas do Vendo 147, que gentilmente respondeu, por e-mail, a entrevista a seguir.

OverMúsica: Eu li no release da banda no myspace que se trata de uma "importação" fazer rock com 2 baterias. Quando e onde foi que vocês tiveram a idéia de montar uma banda com essa proposta?
Dimmy: Na verdade eu toquei com uma banda da Suíça chamada The Monsters, em uma turnê que eu fiz com o Honkers em 2003. Foram 3 shows, o suficiente pra poder analisar como a coisa funcionava, eu achei aquilo a coisa mais sensacional do mundo e pensei comigo mesmo: "um dia vou montar uma banda com um clone", até que eu ouvi e vi a Vendo 147 e propus pros caras pra usarmos o clone drum; no início eles acharam que não ia rolar, mas depois do primeiro ensaio ficaram super animados. Mas era só um projeto e não levamos a sério; esse ano que resolvemos levar isso a sério e eu me senti meio que na obrigação de divulgar o clone drum pro Brasil.



Não é de hoje que os integrantes trabalham e fazem rock na Bahia. No caso do Vendo 147,  a banda carrega algum elemento "baiano" nas composições?
Total, só o fato de termos dois bateristas na banda ja é mais que uma prova da baianidade da coisa, a bateria é um dos elementos da percussão, ou seja, temos dois percussionistas na banda!
Uma outra novidade é que vamos começar a utilizar uma guitarra baiana, que foi desenvolvida pelo Elifas (luthier de Aracaju que fabrica guitarrras bainas), Pedro, um dos guitarristas virou endorse dele e vai usar uma guitarra baiana modelo Les Paul (é sério) com captação direcionada pro rock. Quer mais baianidade do que isso?

Como foi que surgiu essa idéia de usar a guitar baiana e esse contato com o luthier? Fiquei curioso pra saber como seria a "cara" dessa guitarra.
Na verdade Pedro sempre teve a intenção de usar uma guitarra baiana na banda, quando fomos tocar em Aracaju, veio a idéia de visitar a fábrica do Elifas (o luthier) e nessa visita os caras levaram um material da banda e na conversa foi acordado um endorse, o Luthier gostou da idéia e resolveu abraçar a coisa. Como Duardo desenha e cria a nossa arte, ele desenhou uma guitarra que ficou num formato de Les paul e mandou pro Luthier desenvolvê-la, guitarra essa que em breve o mundo irá ver. Hehe

Mesmo ouvindo o EP completo dá vontade de ouvir outras músicas da banda. Vocês estão produzindo mais?
Nós gravamos esse ep, lançamos virtualmente e em formato físico pelo selo Big Bross records, acabamos de disponibilizar o clipe de uma de nossas musicas (Hell) no youtube e estamos cumprindo alguns shows que estavam agendados há algum tempo e depois da nossa tour pelo nordeste em novembro, vamos começar a pré produção do nosso primeiro disco cheio.

E quais os planos (ou diretrizes) da banda? Já existe contato ou interesse de algum outro selo?
Nossa pretenção é compor trilhas pra cinema, teatro, comercial... essa sempre foi a nossa maior pretenção, enquanto banda, o que queremos mesmo é circular por aí, mostrar o nosso trabalho pro maior numero de pessoas e cidades possiveis e tocar nos festivais que existem pelo país, que aliás, cada dia tem aumentado. Sobre o disco, existe contato, existe interesse, mas temos que primeiramente compor as músicas, depois entrar no processo de produção, gravar, mixar, masterizar e aí sim ver como isso pode ser distribuido e divulgado pra que todo mundo possa consumir esse produto (a música).

O que você faz além da banda?
Vou citar todos os integrantes, até porque eu geralmente respondo as entrevistas por ter um tempo mais tranquilo do que os outros membros da banda: Eu (Dimmy) sou portuário, trabalho no porto de Salvador. Glauco Neves é técnico de audio, trabalha no laboratório de audio da Unifacs e é técnico de som de um estúdio, além de ter uma produtora de audio e vídeo. Duardo Costa é diretor de arte e trabalha na SLA. Pedro Itan é engenheiro eletricista e trabalha na área. Caio Parish é estudante de fisioterapia da Ucsal.

E de onde vem o nome do grupo e essa idéia de usar máscaras e avental?
Bem, sobre o nome da banda: Glauco gravou umas músicas em 2006 e criou uma página no Trama Virtual e pediu pro amigo de trabalho Eduardo Penna (ex-vocalista da Los Canos) pra ele dar um nome pra ele colocar no projeto, porém Penna tava vendendo um carro e estava lendo o anuncio que iria colocar no jornal, lendo em voz alta: "Vendo 147, ano tal, cor tal.." e Glauco disse, "perfeito"!, gostei desse nome aí, Vendo 147, Penna que estava desligado perguntou o que estava acontecendo, que não tinha falado nome nenhum e tals, e acabou ficando esse nome aí.
Sobre Avental, isso foi usado na época que era só um projeto, quando tocávamos quase nada, tipo uma vez por ano. Esse ano quando resolvemos levar a coisa a sério, virar banda de verdade, resolvemos não usar os aventais e usar sim as máscaras, mas todos usarem máscaras que seriam desenvolvidas com exclusividade pra banda.

Falando em exclusividade, aquele logo que tem nas camisetas da banda, foi algum integrante que fez?
Toda a arte da banda é feita por Duardo Costa.
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Vendo 147 é:
Glauco Neves e Dimmy, os “bateristas-clones”, Pedro Itan e Duardo Costa, nas guitarras e Caio Parish, no baixo.

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9.9.09

Entrevista #1: O Garfo



Ontem na web aconteceu o lançamento oficial do segundo EP do trio cearense de rock instrumental O Garfo, intitulado "Epizod". Quatro faixas já estão disponíveis no myspace da banda e também para download completo, incluindo a arte gráfica que pode ser apreciada de perto e + uma faixa bônus. Paralelo ao lançamento de "Epizod", a banda fará uma série de shows em Recife e Fortaleza, inclusive no festival Coquetel Molotov, para divulgar o EP, lançado pelo selo Midsummer Madness, com tiragem inicial de 500 cópias.

Embora produzido, a banda não lançou fisicamente o primeiro EP "A Cria de Frank Einstein (in memoriam)", que estava disponível no myspace até o mês passado; mas foi com ele que o trio tocou em vários festivais como Festival Mundo, DoSol, Grito do Rock, Feira da Música e arrancou elogios, por exemplo, de um dos caras mais antenados na cena independente (que aliás, ajudou a alavancar a carreira dos caras), Bruno Nogueira, que produz o Pop Up!:  “É fantástico como tem surgido uma cena instrumental pop que está num patamar de qualidade muito superior a todas as outras bandas independentes. Inclui nessa lista, o Macaco Bong e O Garfo (CE) que você entende a equação”.


Over Música entrevistou Felipe Gurgel, baixista da banda, que falou sobre a idéia conceitual de "Epizod" e do primeiro EP que não saiu. Trata-se da entrevista inaugural do canal "Entrevistas" do blog  (:


Over Música: Começando pelo trivial, de onde vem o nome da banda?
Felipe Gurgel: O Vitor (guitarrista) tinha vontade de fazer algo na vida dele com esse nome, mais pela grafia da palavra do que pelo sentido literal (o talher). E pela graça de você encaixar algo que é trivial em um espaço onde não se espera encontrar tal referência, como o nome de uma banda, por exemplo...



capa de "epizod": sintonizada com as composições do EP

E esse EP que acabaram de lançar tem todo um conceito que está em sintonia com a arte da capa. Como é isso?
Olha... como já tínhamos perdido todo o tempo todo mundo com o primeiro, esse segundo EP foi feito devagar. A banda nunca tinha trabalhado efeitos e sintetizadores até então, por exemplo, e a produção foi descobrindo isso lentamente. A arte do disco é absolutamente feita nessa sintonia de novas perspectivas pra banda, você percebe que cada música é associada a um frasco... Como se a pessoa que ouve pudesse "beber da fonte" de cada faixa e do que cada uma deles oferece. A nossa "visão interna" é que esse repertório novo tem esse diferencial em relação ao antigo (que era basicamente baixo-guitarra-bateria). Por isso essa referência a "novas perspectivas", do repertório à arte do disco, que por sinal foi toda feita à mão, de forma criativa, pelo Felipe Diaz. Um cara que é próximo da banda e estava a par de todos os problemas que a gente tem (ou teve) pra finalizar esse material novo.

Como ele fez pra pegar o espirito da coisa? Claro que vcs se conhecem a um tempo e ele estava a par do que estava rolando, mas o que vocês conversaram, o que você disse pra ele sobre essa capa ter sintonia com as músicas, com esse conceito que comentou?
Ele mora em São Paulo, então o Vitor (guitarra) estava mais próximo dele. A "fonte" dos nossos problemas para ele era o Vitor. Além de tocar baixo, eu componho a maioria das bases das músicas e faço a produção executiva da banda, então já fica complicado para eu interferir demais em um trabalho que requer tanta sensibilidade como é a concepção de um encarte baseado em idéias subjetivas. Eu tinha a responsabilidade, na verdade, de não "atrapalhar" a criação dele, ao mesmo tempo que precisava cobrar prazos (o que para um artista de qualquer área é uma merda). Então não foi nada que eu "disse", não passamos nada legendado e assim ele fez o trabalho...
Na verdade ele entendeu o momento da banda e passou isso para o papel em forma de apelo visual e com toda a carga daquelas imagens da capa, do encarte... É um traço muito rico, eu pago o maior pau para a arte do disco. Embora seja suspeito para falar.

Como foi o contato com o selo carioca Midsummer Madness?
O Midsummer acreditou bastante nesse disco... o Lariú colocou na capa do site hoje como o "Melhor do Ano". Ele é bem empolgado com as músicas e foi um parceiro espontâneo, que procurou a gente após ter visto um show no Se Rasgum, em Belém. Gostamos de trabalhar com ele. É um cara criterioso.

E por que o primeiro EP dO Garfo não foi lançado? Nós nunca mais vamos poder ouvi-lo?
Não! (risos)

Mas cara, é uma longa história... ali (primeirp EP) é o que gravamos e passamos para o produtor que ia finalizar... e ele nunca finalizou, porque ele tem muito trabalho e enrolou a gente um tempão, até hoje. De maio de 2008 até hoje. Na verdade ele é amigo pessoal do guitarrista, então nesse caso a amizade foi crucial pra que aceitássemos todas as desculpas que ele deu até então.Acredite se quiser. Então assim, nós somos a primeira banda do Brasil a lançar o segundo EP antes do primeiro (risos).

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